O que deveria ser um ambiente de formação, disciplina e inclusão social por meio do esporte se transformou em um episódio de violência contra um adolescente de 13 anos, em um projeto público de Jiu-Jitsu no interior de Mato Grosso do Sul.
O caso, ocorrido no dia 26 de março, ganhou repercussão estadual após a família denunciar agressões físicas praticadas durante o treino, situação que agora é investigada pela Polícia Civil.
Uma punição que virou agressão
De acordo com os relatos registrados em boletim de ocorrência e detalhados pela família, o adolescente participava normalmente das atividades no Centro de Esportes e Lazer, no bairro Vista Alegre Ribas do Rio Pardo (MS), quando se envolveu em um incidente considerado banal: um esbarrão durante o treino no irmão do professor responsável pelas aulas.
O episódio, que poderia ter sido tratado como parte natural da prática esportiva, resultou na aplicação de um “corretivo coletivo”.
O jovem foi obrigado a passar por um chamado “corredor polonês”, prática em que participantes formam duas fileiras e desferem golpes contra quem atravessa o espaço entre elas.
Segundo a denúncia, o adolescente foi submetido a essa situação por quatro vezes consecutivas, aumentando significativamente a intensidade das agressões.
Diferente de uma atividade esportiva supervisionada, o “corretivo” teria ocorrido sem qualquer equipamento de proteção.
O jovem estava sem kimono, vestimenta tradicional do Jiu-Jitsu e foi atingido principalmente com faixas de graduação dobradas, utilizadas pelos próprios participantes.
Outro ponto que agrava o caso é a desproporcionalidade: a maioria dos envolvidos nas agressões eram adultos, o que, segundo a família, tornou o episódio ainda mais violento e desigual.
Marcas físicas e sintomas preocupantes
Após o treino, o adolescente voltou para casa com dores intensas e visíveis sinais de agressão.
A família relata que o corpo do jovem apresentava diversos hematomas, principalmente nas costas, braços e região do tórax.
Com a evolução dos sintomas, surgiram também febre e mal-estar, o que levou os responsáveis a procurarem atendimento médico.
O laudo inicial apontou lesões significativas, posteriormente avaliadas em exame de corpo de delito.

Embora o registro policial tenha classificado o caso como lesão corporal leve, a família contesta essa definição, destacando a extensão dos ferimentos e o impacto físico causado.
Impacto psicológico e revolta da família
Além das consequências físicas, o episódio deixou marcas emocionais no adolescente. Segundo o pai, o jovem ficou assustado, constrangido e com medo de retornar às atividades.
O responsável, o serralheiro de 42 anos, afirma que a matrícula no projeto social tinha como objetivo oferecer disciplina, aprendizado e oportunidades ao filho, não exposição à violência.
Em tom de indignação, ele questiona a lógica da punição aplicada:
“A gente coloca o filho para aprender e ele volta machucado. Isso não é disciplina, é agressão.”
A família decidiu formalizar a denúncia e cobrar responsabilização dos envolvidos, incluindo o instrutor e demais participantes que teriam colaborado com o “corredor”.

Medidas imediatas e resposta do poder público
Diante da repercussão do caso, a Prefeitura de Ribas do Rio Pardo anunciou medidas administrativas.
O professor responsável foi afastado preventivamente e um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado para apurar a conduta.
As aulas do projeto de Jiu-Jitsu também foram suspensas temporariamente.
A administração municipal informou que não compactua com práticas de violência e que irá apurar rigorosamente os fatos antes de tomar decisões definitivas.

Investigação policial e enquadramento
A Polícia Civil abriu investigação para apurar o caso como lesão corporal dolosa, quando há intenção de agredir.
Um dos pontos que ainda devem ser esclarecidos pelas autoridades é o grau de responsabilidade de cada participante envolvido na ação, já que a agressão, segundo os relatos, ocorreu de forma coletiva.
Outro aspecto em análise é se houve abuso de autoridade por parte do instrutor, além de possível negligência na condução de atividades com menores de idade.
Defesa e controvérsias
O professor afastado nega ter cometido crime. Pessoas próximas a ele divulgaram uma nota em que classificam o episódio como isolado e defendem o “corredor polonês” como uma prática tradicional em algumas academias, supostamente utilizada como forma de disciplina e integração.
Essa justificativa, no entanto, é amplamente contestada por especialistas e entidades esportivas, que afirmam que qualquer prática que envolva violência física, especialmente contra menores, é incompatível com os princípios do esporte.
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Reação do meio esportivo
A Federação Sul-Mato-Grossense de Jiu-Jitsu repudiou o ocorrido, reforçando que o esporte deve ser um instrumento de formação ética, respeito e autocontrole, jamais de punição violenta.
Organizações ligadas à modalidade também destacaram que não possuem poder de fiscalização direta sobre projetos sociais ou academias, o que evidencia uma lacuna na supervisão dessas iniciativas.
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Um alerta sobre projetos sociais
O caso levanta um debate urgente sobre os limites da disciplina em ambientes esportivos, sobretudo em projetos sociais que envolvem crianças e adolescentes.
Especialistas apontam que práticas punitivas violentas, muitas vezes naturalizadas em certos contextos, podem gerar danos físicos e psicológicos duradouros, além de comprometer o verdadeiro propósito dessas iniciativas, promover inclusão, desenvolvimento e cidadania.
Enquanto a investigação segue em andamento, o episódio deixa um alerta claro: a ausência de fiscalização e protocolos rigorosos pode transformar espaços de aprendizado em ambientes de risco.
Corredor polonês, Entenda como começou e o posicionamento de quem começou a prática.
Segundo o Mestre Fábio Gurgel, o “corredor polonês” surgiu como uma brincadeira quando ele ainda era jovem, por volta dos 19 ou 20 anos, durante uma aula que ministrava no Clube Federal no Rio de Janeiro.
Gurgel explica que, na época, tratava-se de um grupo de jovens e o ato foi um equívoco que posteriormente se popularizou no meio do jiu-jitsu como uma falsa prova de bravura e sacrifício.
Sobre a prática, o posicionamento de Fábio Gurgel é de que ela é um grave erro e que não traz nenhum benefício ao aluno, à academia ou à arte marcial.
Ele afirma que:
- Não é uma tradição legítima, mas sim um equívoco que ele mesmo ajudou a disseminar.
- Representa uma forma de covardia e falta de respeito, pois muitas vezes envolve excessos físicos que não podem ser devidamente controlados.
- O foco da graduação deve ser o esforço e a dedicação do aluno, e não o sofrimento físico.
- Atualmente, ele defende que a prática seja banida, por considerar que ela não dignifica o jiu-jitsu.
André Vianna – JIUJITSUBJJ
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Fontes:
voxms
campograndenews
youtube/fabiogurgel

Lamentável e Enfurecedor o ocorrido, o corredor não é e nunca será corretor de postura… Desejo força e justiça ao jovem, e correção a nível penal ao “professor” que permitiu isso.
Oss…
Que e educação este aluno vai transmitir para os seus alunos se um dia ele for um professor.
E lamentável está situação nos dias atuais com o esporte Tam amadurecido e ainda passamos por casos assim, que chegam para denegrir o esporte.
Ótimo publicação parabéns.
Oss…
E ridículo a situação, lamentável como ficou o jovem conheço pessoas que por causa de coisas do tipo e outra não fazem o esporte . 😞 Situação crítica do nosso esporte . Oss
Oss…
Professor de verdade já mais teria uma atitude dessa, não se corrige um aluno com agressão dessa natureza, um dos motivos da perda de alunos seja qual for a sua graduação ou faixa é exatamente o comportamento do seu líder ou professor ou Mestre.
Espero que esse rapaz que não se deve ser chamado de professor, responda e perca o direito de dar aula
Oss…
Essa prática, mesmo tradicional, envolve a livre disposição do aluno de ser submetido, a proposta aqui mostrada foi ato de tortura, prática que não tem lastro nenhum de aplicabilidade como ferramenta, seja de disciplina, seja de qualquer outra forma de prática, nem mesmo nos tempos de ditadura, essa prática se mostrou útil para qualquer dos envolvidos, e é abominável. Ainda com o agravante de ser um menor de idade me causa a preocupação do que muitos dos praticantes da arte suave acreditam que sirva a nossa prática e liturgia, é inacreditável que em pleno século XXI esse tipo de coisa ainda seja reproduzida.