Após mais de três anos desde o brutal assassinato de Leandro Lo, um dos maiores nomes da história do jiu-jitsu mundial, o país ainda assiste, indignado, a um processo marcado por atrasos, liminares, discussões e manobras que só reforçam o sentimento de impunidade.
O policial militar Henrique Velozo, acusado de atirar à queima-roupa em Leandro durante um show em agosto de 2022, já deveria ter sido julgado em maio, mas o júri foi suspenso na véspera depois de um pedido da defesa e, na nova data marcada, o julgamento sequer avançou além do primeiro dia.
Agora, entre os dias 12 e 14 de novembro de 2025, restou a esperança de que o caso finalmente tenha um desfecho no Fórum Criminal da Barra Funda.
É revoltante aceitar que uma vida tão grandiosa tenha sido interrompida dessa forma e que a resposta da justiça seja arrastada por anos.
Família, amigos e toda a comunidade do jiu-jitsu carregam essa dor diariamente, enquanto veem o sistema jurídico patinar diante de algo que deveria ser simples, julgar o responsável por um homicídio claro, direto e sem espaço para versões fantasiosas.
O Brasil, infelizmente, se acostumou com a inversão de valores. Provas são anuladas, réus confessos são beneficiados e até ocupam posições de poder, enquanto famílias destruídas continuam à espera de justiça.
É difícil acreditar num país onde tantos lutam para que a verdade apareça, enquanto outros fazem questão de manter o ciclo de impunidade e ainda aplaudem isso nas urnas de quatro em quatro anos.
Diante dessa realidade amarga, fica a pergunta que grita na garganta de todos que acompanharam o caso: será que realmente teremos que aceitar que, no Brasil, o crime compensa?
Que o julgamento de Leandro Lo seja, ao menos, o ponto em que essa história de injustiça comece a mudar.
Outro ponto após a decisão:
A Sra. Fátima desabafa após o veredicto: “Sinto que o Leandro foi sepultado pela segunda vez.”
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Em um relato emocionado e marcado pela dor, Fátima Lo afirmou que o dia do julgamento “foi de muita tristeza” e que sente como se Leandro “fosse sepultado pela segunda vez”.

Mesmo diante do veredito, ela reforça: “Não vamos desistir… e lutaremos por ele.”
Relato da Sra. Fatima Lo, no Instagram – https://www.instagram.com/p/DRFlT-mkcat/
O que esperar de decisões assim:
É difícil conter a indignação após o que ocorreu no Fórum Criminal da Barra Funda.
Diante do Tribunal do Júri, a magistrada Fernanda Perez Jacomini decidiu pela absolvição de Henrique Velozo, o policial militar responsabilizado pela morte do ídolo mundial do jiu-jitsu Leandro Lo e ainda autorizou que ele deixasse a prisão imediatamente, emitindo o documento que garantiria sua saída.
Tudo isso na 1ª Vara do Júri, como se o assassinato de um esportista reverenciado, reconhecido pelo empenho e pela postura exemplar, pudesse ser diminuído por um resultado que provoca espanto em qualquer cidadão que ainda preserva alguma esperança no sistema judicial.
A sensação é de paralisia, frustração e desrespeito.
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Um homicídio que repercutiu no país inteiro, depoimentos, registros em vídeo, atenção internacional… e mesmo assim o desfecho foi a liberação daquele que efetuou o disparo.
Como explicar isso à mãe, aos amigos, aos admiradores?
Como admitir que alguém possa aguardar o processo em liberdade depois de tirar uma vida de maneira tão direta e cruel?
É inevitável concluir que o sistema jurídico falhou profundamente, que o valor da vida de Leandro Lo foi reduzido e que a já frágil confiança na Justiça recebeu mais um golpe duro.
A decisão que inocentou Henrique Velozo vai muito além de um pronunciamento técnico, é uma afronta à população.
Um grito de revolta preso na garganta.
É a demonstração clara de um país onde, muitas vezes, a existência humana parece pesar menos do que um cargo, menos do que uma farda, menos do que a frieza de quem dispara uma arma e depois deixa o tribunal como se nada tivesse acontecido, protegido por um resultado que provoca indignação, tristeza e vergonha.
JUSTIÇA POR LEANDRO LO.
André Vianna – JIUJITSUBJJ

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Oss,difícil a situação, muita força desejo a família do Leandro lo .
Mais um capítulo de desgosto e descaso com a lei desse país. Lamentável.
Nada justifica a atitude do policial militar de matar um grande lutador como o Ló, matou por qual motivo ? Porque o Ló estava bêbado e olhou pra esposa do policial ?
Isso é falta de preparo e faltou sabedoria em saber dar com essa situação.
É revoltante o resultado chocante deste processo, que zomba da memória de Leandro Lo e da dor da família. O sentimento de impunidade é, infelizmente, um retrato amargo que precisa de uma resposta urgente da justiça.
É Inacreditável o que foi feito nesse caso, temos um homicida a solta, como se fosse apenas mais um dia.